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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ariano Suassuna fala sobre "O Povo Brasileiro"



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Achei pertinente conectar a fala desse mestre com a fala do Antropólogo Darcy Ribeiro, sobre o povo brasileiro:


" NÓS, BRASILEIROS, NESSE QUADRO, SOMOS UM POVO EM SER, IMPEDIDO DE SÊ-LO. UM POVO MESTIÇO NA CARNE E NO ESPÍRITO, JÁ QUE AQUI A MESTIÇAGEM JAMAIS FOI CRIME OU PECADO. NELA FOMOS FEITOS E AINDA CONTINUAMOS NOS FAZENDO. ESSA MASSA DE NATIVOS ORIUNDOS DA MESTIÇAGEM VIVEU POR SÉCULOS SEM CONSCIÊNCIA DE SI, AFUNDADA NA NINGUÊMDADE. ASSIM FOI ATÉ SE DEFINIR COMO UMA NOVA IDENTIDADE ÉTNICO-NACIONAL, A DE BRASILEIROS." ( RIBEIRO, 1995,p. 447)













terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Uma Lembrança de Natal




Hoje estou lembrando dele mais que o usual, seus gestos rudes, sua pele marcada, seu olhar de censura, nossas noites de entrega. Como éramos felizes, eu era. Ainda tão criança, eu não sabia o que significava amar, mas sentia arrepios perto dele, sua voz me fazia estremecer por dentro. São 22:00h e não consigo dormir, deve ser o cabelo molhado que me incomoda tanto ao encostar no travesseiro, mas não mais que a falta do corpo dele encaixado ao meu. Há dez anos ele se foi, ainda lembro das minhas reações, olhando o bilhete que ele tinha deixado na geladeira, li assim: “Doce e Suave,serás sempre a única mulher que terei amado na vida,sabes que eu precisava ir, teu sempre, Gustavo”.
Na hora doeu como quando se leva uma facada no peito, dilacerante. Fui até a rua, fucei os bares que ele freqüentava, a casa de alguns amigos e nada. Só a noite que vinha caindo, alguns gatos da rua sete começavam seu passeio noturno. E uma mulher com lágrimas e um coração partido vagava por entre as ruelas, sozinha. Em casa tomei uma pílula e lembro bem de ter dormido muito. No dia seguinte a notícia pavorosa, Gustavo morreu atropelado e dizem que o carro foi embora sem nem prestar socorro, eram alguns playboys do bairro do livramento, ninguém sabe ao certo, me contou dona Zuleica, a vizinha que dava conta da vida de todos do bairro. Eu cai no chão, porque meus pés pareciam calejados e as pernas com toneladas, a cabeça rodava e o chão era transformado em abismos que eu nunca alcançava o fim, parecia estar sendo sugada para as profundezas de mim mesma, de nossos momentos, a última conversa, o gosto da boca dele ainda estava na minha, seu toque forte e sua forma de me segurar quando fazíamos amor.
Meu filho Pedro abre a porta do quarto e avisa que o pai está chegando, ligou pra dizer que está trazendo presentes para todo mundo, inclusive pra mamãe. Ah, eu dou um sorriso de leve, beijo meu filho e digo que a dor de cabeça não vai deixar a mamãe participar de mais um natal. Vou cumprir meu ritual de todos os anos após a morte de Gustavo, nessa noite que só me lembra ele, a notícia de sua morte logo após a notícia da morte de nosso amor, o bilhete, a última transa. Pedro de súbito me pergunta: Mamãe você é feliz? Eu tive vontade de apertar meu filho e contar pra ele tudo que não consigo dizer ao psicanalista durante anos de psicanálise, mas o abracei, olhei em seus olhos e disse: meu amor, eu te amo, isso me basta.

domingo, 31 de outubro de 2010


Ao acordar senti que ainda estavas comigo, tua pele,teu cheiro, teu toque. O espaço que sobra entre mim e você, é inexistente. Sinto como se tivesses ficado para sempre em meu ser. E agora o que faço comigo? Agora que sou dois corpos, duas mentes, são constantes as discordãncias de pensamento. E todas as decisões finais doem em mim. Sempre que um dos lados abri mão de si pelo outro, sinto alívio e sinto a abdicação. Sou você e sou eu também. Não era fácil ser um, mas agoa que sou dois, nem é fácil ,nem é difícil. É conflitante e delicioso.
Cada vez que respiras dentro de mim, sinto-me forte. Costumava observar uma vizinha com esse ar de mais forte, esse ar de quem respira por dois seres. Ela parecia envolvida por uma bolha que a separava das pessoas não apaixonadas, dos que respiram por si mesmos e estão muito bem obrigada,desse jeito.Mas eu não podia deixar de perceber suas constantes crises, sua expressão confusa, aturdida. Tudo indicava que seu futuro era em um hospício. Ah! a doce loucura dos apaixonados. Como eu achava bonito meu Deus. Eu desejei tanto, tanto, tanto.
O Bruxo do Cosme Velho, já dizia: "a melhor definição do amor, não vale um beijo." Provar o amor é provar o fruto do conhecimento do bem e do mal, e saber que o bem e o mal, na verdade são da mesma natureza e se completam. Amar é tão novo para mim e tão velho no mundo. Quantos corações apaixonados por ai, alguns despedaçados, outros curados, e o meu pulsando, é vida , é calor, cheiro de pele, entrega.Vontade de absolver o outro.Acho que Vínicius de Morais encerrra legal o texto: "Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure.

Apaixone-se sempre. Por seus amigos, seus filhos,seus pais, pelas pessoas e por você principalmente.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Gente Existe Para Quê???


Fingindo que suas feições cansadas de existir não me atingem, eu sigo nessa rua. Sou mais um Transeunte no meio deles, por que me acho tão diferente, o que eu tenho de novo para dizer ao grande mundo. O que justifica minha existência? Eu preciso mesmo de uma justificativa? Por vezes penso que não. Mas as vezes sinto essa questão no âmago de meu ser. Sou tão novo e tão velho no mundo, mas ainda não sei responder uma questão simples. Por que estou aqui? Me encolho , tentando absolver cada fluido de pensamento que me venha a mente, qualquer um deles poderá me salvar, a qualquer momento encontrarei a resposta que me justificará. Eu pensava isso quando uma menininha entregou uma flor á um mendigo, bem na minha frente, eis que a resposta surgia. Cheia de cores de pétalas, tinha dedos também, pequeninos e graciosos. Aquele gesto me descortinou toda a verdade que procurava. Seria a raça humana boa o bastante para justificar sua existência nesse planeta? Talvez. Divagações, são tantas, e eu me perco entre elas, mas essa liberdade de procurar o que me instiga , é sempre tão fascinante. Não gosto de definições, mas de liberdade, gosto do lado de dentro e do lado de fora, gosto daquela menininha entregando a flor ao mendigo, e gosto mais ainda das sensações que ficam no ar, como mistérios que não apreendemos por sua grandeza. Mistério. PALAVRA DOCE. Eu encanto e desencanto. Hoje estou sentindo borboletas no estômago e não sei bem o que é que me causa isso. Tudo está bem. As pessoas são legais e eu não sei dizer se estou apaixonada, mas olhar uma foto do meu irmão quando tinha 2 anos de idade, me faz pensar. Ele é mais velho, na época dessa fotinha eu nem existia, não no mundo físico, só no mundo dos sonhos, que é bem mais colorido. Eu digo porque nunca sai dele. Eu nasci aqui, mas o mundo dos sonhos não me deixa, está em meu DNA. É isso que queria dizer, precisava dizer, estou feliz e pronto. Abrir a porta do elevador do prédio, hoje, me causou espanto, e pensei, pôxa isso poderia nunca ter existido, mas existe, porque eu estou aqui. A escrita é cheia de labirintos, e posso estar chateando alguém, levando a caminhos diferentes, sem uma aparente finalidade. Mas as finalidades não precisam sempre existir, não é?! As vezes basta se perguntar e deixar a perguntar ecoar para sempre. Quase esqueci de dizer que os enigmas,são uma das coisas mais prazerosas da vida. Nós somos enigmas cheios de significações diferentes. Depende muito de quem está nos interpretando,NÊ?!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


"Tarde eu te amei, beleza tão antiga e tão nova. Eis que habitavas dentro de mim e eu lá fora a procurar-te"
As Confissões de Santo Agostinho

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Como sou pequeno.


Era um dia de Domingo, como devem ser todos os dias de domingo, claro.
Um dia em que podemos ver todos os nossos pecados e todas as sua sombras.
Ela estava com aquele tamanquinho rosa, sentada cabisbaixa no banco da praça, sua tristeza era a coisa mais bonita que eu já tinha visto. Ele vinha em direção a ela, com passos curtos, econômicos, parecia não querer chegar nunca. A moça nem percebeu a chegada dele, e continuou a mirrar o chão, ou a seus pés, nunca se sabe. Ele pegou nas mãos dela, mas ela deixou-se cair no ombro largo que ele possuia,. não falavam nada, mas havia algo a ser dito, isso eu bem sabia. Fiquei horas esperando, observava de uma meia distancia, esquecera até o que tinha de fazer, estava absolvido naquela história, naqueles seres, seria o fim , o começo, o meio, a volta deles, não sei dizer. Ela levantou-se foi embora com seus passinhos de fada, e ele se deixou no banco , pensativo, era um homem altivo, bonito. Quanta vontade eu tive de ir até ele e saber de tudo que se passará, mas lembrei de meus afazeres e segui meu caminho, com mais uma história sem nomes, sem definição, mais uma história solta no mundo , no grande mundo. Como sou pequeno pensei....

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Longe de casa.


Correria, passos fortes, muito barulho ,as pessoas lá em baixo nos esperavam, descemos, nos despedimos das pessoas queridas e fomos , eu buscava aventura, sonho. Fiquei imaginando rostos novos, novas sensações, sempre me encantei com a possibilidade do inesperado, do novo. Quase não dormi nesses três dias, conheci cidades encantadoras, o Rio Delta do Parnaíba, a Igreja do Céu, que fica bem no alto, ao chegar lá, avistei uma grama tão verde, e me entreguei aquela sinergia da natureza com meu ser, a chuva caia, eu corria entre a grama, meus pés sentiam cada pedaço daquela terra. O quarto do hotel , não posso chamá-lo aconchegante, porque quartos de hotéis me dão impressão de que sou apenas mais uma, vou confessar que já tive inveja de quartos de hotéis, quantas cenas bonitas, talvez estranhas também ou tristes, as paredes de um quarto de hotel podem ter, mas já desisti desse desejo antigo de absolver tudo, conhecer tudo, o mundo é muito grande, e tenho que tentar absolver pelo menos o que está ao meu alcance. Bom o que estava ao meu alcance, a noite da cidade, incrível, muitos lugares charmosos, como “Porto das Barcas”, ao lado do Rio, um cybercafé, com interatividade, podíamos escolher as músicas que ouviríamos, claro fui até o computador e escolhi Cássia Eller, “Relicário”, gosto dessa música. Voltamos em um domingo, o apartamento estava do mesmo jeito, eu é que voltei diferente, com novas impressões sobre o mundo, sobre mim, e a vontade incessante de sair, conhecer mais, explorar.

P.S – Foi bom chegar, deitar na minha cama, olhar nos olhos das pessoas que amo.